Se conselho fosse bom…

29 de julho de 2012 - domingo - 22:59h   •   Categoria(s): Shuffling, Textos

A célebre frase já diz: “Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça”.
E eu tava aqui, pensando justamente sobre isso, até que resolvi tentar escrever um texto. Ah, já que tá faltando post aqui mesmo, por que não escrever uma baboseira qualquer?

Conselho geralmente a gente:
- dá para pessoas de quem a gente gosta pelo menos um tiquinho
- sobre algum assunto que a gente acha que manja
- porque “queremos o bem” da pessoa aconselhada

Mas algumas coisas me fizeram pensar sobre a real utilidade de se dar conselhos, e me surgiram as seguintes dúvidas:

A pessoa está preparada para ouvir o que você tem a dizer?
Se você dissesse pra alguém nos Anos 1970: “Cigarro faz mal. Acho que você deve parar de fumar”, o que a pessoa diria? Naquela época, acho que já havia estudos sobre o prejuízo que o cigarro poderia causar à saúde. Mas quantas pessoas ligavam pra isso? Quantas pessoas te responderiam: “Ah, para de ser chato! Querem acabar com a nossa diversão?”
Às vezes não é nem questão de falta de estudo ou a pessoa ser burra, mas de simples falta de conhecimento sobre um determinado assunto, o que pode acontecer com qualquer mortal.

Seus conselhos estão atualizados?
Aí vai a vó e quer dar conselhos sobre relacionamento pra netinha de 25 anos. É lógico que há conselhos que são universais e atemporais, mas a netinha tá sofrendo porque o cara com quem ela transou na primeira ficada sumiu e não atende o celular. Por mais que a gente ame a avó, ela não serve para dar conselhos nessa situação.
E talvez nem os seus conselhos sobre profissão sirvam mais para o primo que está entrando agora no mercado de trabalho.

Qual a receptividade?
Quem disse que a pessoa quer seu conselho? Sobre isso, não tem nem muito o que comentar.

Qual o coeficiente de absorção?
Ok, talvez a pessoa aconselhada até tenha educação de te escutar ou realmente esteja interessado nos seus conselhos. Mas eu acredito absurdamente mais no poder de ensinamento da experiência. Eu poderia ler tudo sobre Paris, mas o tamanho do Arco do Triunfo só é assombroso ao vivo e a cores.
Se coeficientes de absorção de conselhos fossem altos, não haveria tantas mulheres chorando por causa de corações despedaçados por cafajestes.

 
Não que eu já não tenha dado milhõõões de conselhos. Não que, inclusive, as pessoas não achem que eu seja boa conselheira. Mas acho que é uma boa hora para se pensar quanto há de benefício em ser “pró-ativo” ao dar conselhos.

Esclarecimentos:
1. Não, eu não estou revoltada.
2. Isso é só um exercício textual que eu resolvi fazer.
3. É, aqui tá sem muito post mesmo. Resolvi aproveitar a oportunidade.
4. Não, não sei se vou escrever mais textos do tipo. Pode ser que escreva um outro semana que vem. Pode ser que nunca mais.

E quem disse que esse post em si não foi um conselho disfarçado? =D

3 comentários para “Se conselho fosse bom…”

  1. Rapha disse:

    Sinto falta dos seus posts nesse blog rsrs.

  2. Bela reflexão Lia.
    Adorei conhecer esse seu espaço.
    obs.: eu achava que vc tinha no máximo uns 22 anos, nunca tinha lido sua Bio completa até entrar aqui.

    Beijos
    http://www.leitoraincomum.com

  3. Danny Matute disse:

    Muito interessante o texto Lia! É um assunto delicado, que todo mundo sabe, mas poucos colocam em prática! Estava sentindo falta dos post! =)

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